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MARÇO, MÊS DA MULHER: PARA ALÉM DO SER MULHER

Atualizado: 8 de mar.





mulher agachada com olhos fechados e um buquê de flores na mão está com o rosto virado para uma criança indígena que leva a mão ao seu rosto. Ao fundo, uma árvore, em uma área plana de terra com uma choupana mais longe no horizonte.
Imagem gentilmente cedida por Sunderta Kaur - arquivo pessoal

Vivemos em um tempo onde ainda existe o Dia da Mulher. Dia das Mulheres, como vários outros dias que ainda existem, lembrando as minorias oprimidas no seu ser e existir. Vivemos em um mundo onde a diversidade, a alteridade, a soberania e a autonomia ainda não são universais. Vivemos em um tempo onde as perspectivas são de muito trabalho para que a gente possa ser respeitada e respeitado nas nossas escolhas e acolhida e acolhido nas nossas individualidades.


Por isso hoje, mais que nunca, é dia de reafirmarmos nosso compromisso em semear um mundo mais justo, digno, soberano para todos os seres, para todas as espécies, já que a dignidade de cada um depende da dignidade que há no todo.


Um dia para se comprometer com um mundo onde a gente realmente possa celebrar a diversidade ao invés das suas diversas minorias. Um dia que nos lembre que somos um só e não o quanto temos sido massacrados ao longo da história.


Por isso o Seva Corps celebra a cada mulher que compõe a sua rede, que semeia uma semente de dignidade e esperança nestes tempos de tanta obscuridade e desafios.


Celebramos todas as mulheres, pois de acordo com o mapeamento de seva que realizamos em 2020 (ano de início da pandemia) na América Latina e endossado por vários estudos mundo afora, foi mais desafiador para as mulheres se manterem ativas no mundo após a pandemia.


Em torno de 45% que participaram da nossa pesquisa já fizeram seva, mas não conseguiram mais sustentar o seu compromisso naquele momento. Esse percentual é praticamente 25% maior do que o encontrado entre os homens. No contexto da pesquisa, isso sugere que as mulheres podem ter se retirado mais de projetos de seva não por uma questão de vontade, mas muitas vezes pela questão das muitas tarefas a elas atribuídas e que se acumularam ainda mais com a pandemia sem uma rede de apoio tão disponível.


gráfico que elucida o envolvimento de seva por gênero e também o quanto de homens e mulheres precisaram desistir de suas sevas sem especificar o motivo. Dados obtidos por pesquisa realizada na América Latina em 2020 pelo Seva Corps.
Mapeamento seva na América Latina: envolvimento com seva por gênero

Precisamos ressaltar, contudo, que as mulheres representam mais de 86% das participantes da pesquisa realizada, o que mostra que as mulheres continuam sendo numericamente mais ativas em projetos de seva, mesmo que muitas tenham iniciado e tido necessidade de interromper o seu compromisso.


gráfico que elucida o gênero declarado dos participantes da pesquisa sobre seva na América Latina, realizada pelo Seva Corps em 2020
Mapeamento seva na América Latina: gênero dos participantes da pesquisa

Aproveitamos essa oportunidade e cenário para honrar todas que tomaram nas mãos, muitas das vezes sozinhas, o ofício de educar um ser humano mais ínte


gro e integrado com a natureza e o Vasto Infinito, capaz de semear ainda mais esperança ao longo do seu viver. Ou mesmo que tenham focado em sustentar as estruturas domésticas e/ou financeiras para que outros seres humanos possam estar ativos no mundo.



Hoje, para nós, é um dia para nos comprometermos conscientemente em deixar um solo mais fértil para semeaduras de tempos justos, dignos, onde ninguém precise mais ter medo de simplesmente ser e existir. Um dia para agradecer a todas e todos que não negociaram sua dignidade e autonomia (muitas vezes com sua vida) para que hoje pudéssemos refletir, atuar e participar autonomamente para um mundo mais justo e digno para todos.


mulher tem a mão direita no coração e no braço esquerdo carrega um bebê que leva a mão na boca. A mulher está com os olhos fechados e um sorriso no rosto como a abençoar a criança que está relaxada e com um riso no canto do olho no seu colo.
Foto de Bernard Machado para o projeto Yoga e Negritude


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