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ENCONTRO ENTRE FÉS

O Kundalini Yoga ainda não é amplamente conhecido no Haiti. O Seva "Dia de Harmonia" encontro entre tradições, portanto, procura compartilhar abertamente a prática da Kundalini Yoga no Haiti e promover o reconhecimento entre tradições. Desta vez, o intercâmbio foi com a tradição Vudu, fortemente enraizada e presente na cultura do povo haitiano.

FICHA TÉCNICA 
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NOME DO PROJETO: Encontro entre tradições, “Dia da Harmonia”.

PAÍS: Haiti.
CIDADE: Port-au-Prince.

DESCRIÇÃO: Encontro inter-religioso para compartilhar a prática da Kundalini Yoga e promover o intercâmbio e o respeito entre as tradições. Este primeiro encontro aconteceu com a comunidade Vudu, que é a tradição mais forte e mais difundida no Haiti.

PÚBLICO: Comunidade local.

ANO DE INÍCIO:  2018

RESPONSÁVEL:  Kiret Nam Kaur (3HO Luminary)

PARA APOIAR O PROJETO, ENTRE EM CONTATO:

matiyourte@gmail.com

@kiretnam

ENTREVISTA

O Kundalini Yoga ainda não é bem conhecido no Haiti. Ela ensina há cinco anos, tornando a prática tão acessível quanto possível a todos. "É um trabalho de sensibilização", diz ela.

 

Kiret Nam foi a única professora de Kundalini Yoga que serviu e ensinou ativamente em Port Prince até que a pandemia começou.
 

"Tenho um amigo brasileiro que foi treinado no Novo México e era também professor de KY, mas devido a problemas e dificuldades constantes no meu país, as aulas tiveram de ser suspensas". 

 

Conversamos com ela para conhecer um pouco mais sobre a sua experiência, e como chegou a organizar uma Seva visando a inclusão de diferentes tradições:

 

"Tive muita sorte porque fui ao Canadá estudar e quando terminei os meus estudos e regressava ao meu país, Haiti, descobri o Kundalini Yoga, apenas um dia antes de retornar. Comecei a praticar Kundalini Yoga por conta própria. As minhas fontes eram o YouTube, a Internet. Foi assim que comecei a praticar. 

Não foi assim tão fácil para eu encontrar a informação que queria na Internet e finalmente, depois de muito tempo praticando sozinha, há cerca de dois anos atrás, tive vontade de fazer a formação de professor. Tinha de ser no exterior porque no Haiti não havia professores nem qualquer coisa relacionada com a Kundalini Yoga na época.
 

Então, viajei novamente para o Canadá para fazer formação de professores em 2015, e depois voltei para o Haiti, para compartilhar com as pessoas o que tinha aprendido." 

 

COMO FOI A EXPERIÊNCIA DE ENSINAR NO SEU PAÍS E QUAL FOI O PROCESSO PARA ORGANIZAR A SEVA DE INCLUIR DIFERENTES TRADIÇÕES?

"As pessoas gostaram muito. Sentiram que tinham encontrado algo que as pudesse sustentar em tempos difíceis, mesmo sem saberem exatamente o que as ajudava. Queriam começar a compartilhar o que tinham recebido com outros. Acima de tudo, com as suas famílias.
 

Elas me perguntavam: olha, eu quero ensinar, é possível? Posso compartilhar esta prática com o meu primo? Elas também perguntavam: Não existe nenhuma formação, mesmo que seja pequena ou intensiva? Existe alguma coisa que possamos oferecer às nossas famílias? Elas só queriam isso. 
 

Então, percebi que havia uma grande procura e eu queria ver como a Kundalini poderia ser oferecida a um maior número de pessoas e também, àqueles que nunca tinham ouvido falar desta prática, especialmente aqueles que vêem o yoga como algo que vai interferir com a sua religião ou com o que estão habituados a fazer. 
 

Assim, todos os anos comecei a fazer aquilo a que chamei 'um dia de harmonia'. Duas comunidades encontravam-se nesse dia. Um dia em que aprendíamos com a outra tradição, sem julgamentos.
 

Foi um desafio muito grande porque foi uma experiência completamente nova para ambas as partes. Demoramos três semanas para falar com as pessoas e convidá-las, para tornar esse momento uma realidade. Mas eu sabia que esse era o serviço que tinha de fazer, era um apelo da alma, incentivando as pessoas a conhecer a outra tradição, a participar, e a desenvolver a tolerância. Foi um encontro de paz.

Havia cânticos, mantras. Todos estavam vestidos de branco porque as comunidades Vodun* vestiam-se de branco para eventos espirituais, assim como nós, para praticar Kundalini Yoga. Parecia que nos estávamos a fundir em um só". 
 

* O Vodun faz parte das religiões tradicionais africanas e está presente entre a diáspora africana nas Américas, como o Vodu haitiano; Vodu cubano; Vodum brasileiro (candomblé); Vudú porto-riquenho (Sanse); e Louisiana Voodoo. Vodun significa espírito nas línguas Fon e Ewe. É ainda hoje praticado por membros das etnias Ewe, Kabye, Mina, e Fon do Togo e Benin.

 

No vídeo acima vocês podem ver um pouco mais da beleza que este dia de encontro proporcionou.


"Foi uma forma muito agradável de divulgar a Kundalini, reconhecendo a riqueza espiritual do nosso país, saudando e honrando-a. Compartilhar, sem querer convencer ninguém, e no final do dia ir embora com algo nos nossos corações". 

O QUE ESTA EXPERIÊNCIA DE SERVIÇO TE ENSINOU?

Conduzi este Seva durante quatro anos, cada vez um pouco maior, cada vez um pouco mais profundo.

Esta experiência me ensinou que o trabalho não consiste apenas em fazer kriya, sentar-se, respirar, mas compartilhá-lo com as pessoas, e isso nos confronta com os nossos medos, os nossos preconceitos, com a necessidade de nos deixarmos ir, e neste ser juntos através dele nos faz crescer e ser um com o todo, Sat Nam, verdadeiramente.  

 

Me sinto muito grata por esta oportunidade de serviço e também pelo Kundalini Yoga. Neste tempo de pandemia, já que não podemos sair, a prática do Kundalini Yoga nos permite ir para dentro de nós mesmos. E para mim, esta Seva tem sido uma grande oportunidade para abrir o meu coração e o coração daqueles que sirvo.
 

Pouco a pouco você percebe que cada vez que serve, o seu coração se abre um pouco mais e você tem a oportunidade de crescer com este gesto que está a fazer com todo o seu ser".

Kiret Nam diz que está passando este tempo de pandemia em Montreal, onde os seus pais vivem. Ela vive normalmente no Haiti, mas devido à situação do seu país, que é frequentemente muito complicada e ainda mais agora por causa da Covid-19, ela não sabe quando voltará.
 

"Lá, a realidade é diferente da vida aqui no Canadá. E também, no que diz respeito à Kundalini Yoga".

A prática do yoga ainda não chega a todas as classes sociais, e é por isso que continua a ser um privilégio. Também não sabe quem pode viajar para o Haiti para dar formação devido à situação do país.

 

"O meu desejo é que isto mude e que haja uma prática cada vez mais acessível, disponível para todos no Haiti. Desejo também voltar para continuar a servir a comunidade que pouco a pouco está a crescendo. Gostaria de continuar com esta Seva e penso na possibilidade de expandir para outros países, Caribe, América Latina. Divulgar e partilhar o Kundalini Yoga com outras comunidades e tradições, tendo ao mesmo tempo a oportunidade de saber mais sobre os outros. 

SOBRE KIRET NAM KAUR

É professora de Kundalini Yoga, nível I, e contribui para promover o reconhecimento entre as tradições no Haiti e a prática da KY de uma forma compassiva, aberta a todos, e com respeito pelas tradições locais.

matiyourte@gmail.com

@kiretnam