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COMBATE A INCÊNDIOS FLORESTAIS

Conheça o projeto de Combate a incêndios florestais no Brasil, que conta com a participação de cidadãos que se organizam para servir suas comunidades locais na luta contra o fogo. É também uma reflexão sobre como todos nós podemos servir à nossa Grande Mãe, o planeta Terra.

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FICHA TÉCNICA 

NOME DO PROJETO: Combate a incêndios florestais no Brasil.

PAÍS: Brasil
CIDADE: Moeda 

DESCRIÇÃO: Apoio prestado por Sevadares das comunidades locais no combate aos incêndios florestais que ocorrem anualmente no Brasil.

PÚBLICO: Comunidade local, residentes e proteção da biodiversidade.

ANO DE INÍCIO: 2014

RESPONSÁVEL:  Paramdhan Singh

PARA APOIAR O PROJETO, ENTRE EM CONTATO:

paramdhansingh8378@gmail.com

@paramdhan_singh

ENTREVISTA

Em meados de Setembro, um período de grave seca em várias partes do Brasil, sete focos de incêndio se alastraram na Serra da Moeda, uma região perto de Belo Horizonte, devastando tudo no seu caminho. Este foi apenas mais um dos incontáveis incêndios florestais que devastaram os biomas brasileiros. Neste incêndio, quase 50% do Cerrado da Serra foi destruído. O bioma Cerrado é a ecorregião da savana tropical com a maior biodiversidade do planeta.

Os incêndios nas montanhas e nas zonas rurais são cada vez mais intensos e sempre causados pelo homem. Saem do controle e adquirem proporções extraordinárias, representando uma ameaça para todos.

Mas no jogo das polaridades, nada é apenas luz ou sombra. A outra faceta da destruição sistemática causada pelos incêndios que atualmente assolam o Brasil são os grupos de pessoas que estão dispostas a combatê-la. Deste lado da balança há pessoas que, colocando as suas vidas em risco, lutam contra as chamas que estão a tomar conta dos biomas desta região sul-americana.

Paramdhan Singh faz parte deste grupo de moradores que anualmente param as suas atividades diárias para tentar conter os incêndios que se tornam mais agressivos a cada ano. Ele vive na região há aproximadamente oito anos, quando decidiu mudar da cidade grande para o campo, procurando um estilo de vida mais alinhado e em contato com a natureza. Desde então, a destruição dos fogos tornou-se também parte do seu ciclo de vida. 

 

O QUE TE LEVA A REALIZAR ESTE SERVIÇO?

"A primeira luta foi para servir o meu pai, que vive na região desde 2006. Apoiei combatendo o fogo para proteger a sua casa, que se situa na região da Serra. Compreendemos que, se não o fizéssemos, ninguém o faria por nós; foi assim que começou e como continua. É por isso que a população civil é a primeira linha de defesa.

Diante da ajuda precária das instituições destinadas a combater estes incêndios, a população local torna-se frequentemente a primeira linha de defesa, apagando as enormes chamas durante dias, ficando até o fim do incêndio, quando a ajuda do Estado já partiu".

 

NA SUA EXPERIÊNCIA, COMO É ESSE SERVIÇO?

"Enfrentar as chamas me faz sentir grande humildade e reverência: me lembra como somos pequenos e efêmeros perante a grandeza da natureza e o poder do fogo. É uma situação extrema em que colocamos as nossas vidas em risco, mas o pedido de ajuda de todas as partes é tão grande que não hesitamos em atender.

 

É um chamado ao serviço, sem perguntas ou certezas, e embora sejamos insignificantes perante o fogo, sabemos que a nossa presença naquele momento faz a diferença para os seres da floresta, os vizinhos e a própria Mãe Terra, que continua a nos apoiar".

 

QUE DESAFIOS SURGEM NA REALIZAÇÃO DESTE SERVIÇO?

"O calor, a fumaça e o peso do equipamento são exaustivos. O terreno aqui na região é muito perigoso. Um bombeiro da cidade não sabe como se deslocar facilmente aqui. Nós próprios, mesmo conhecendo o terreno, temos grandes dificuldades quando se trata de nos deslocarmos. Portanto, se caminhar ou entrar no lugar errado, corre o risco de perder a consciência por causa do fogo ou de ficar encurralado; é extremamente perigoso.

Nos primeiros incêndios, combatemos o fogo sem equipamento, sem vestimenta especial de proteção. Hoje já sabemos que não podemos fazer isso; por esta razão investimos na compra de equipamentos como óculos de proteção, luvas, botas, vestuário de proteção com sinalização visível à noite, uma máscara para poder respirar, entre outros, para nós mesmos e para outras pessoas da região que nos ajudam na luta.

Infelizmente este equipamento é muito caro e muitas pessoas ainda não têm uma forma de compra-lo, então continuam combatendo o fogo mesmo sem esta proteção, arriscando ainda mais as suas vidas.

É por isso que é primordial servir em grupo, já que isto é essencialmente um trabalho em equipe: quem apagar o fogo com o soprador de folhas não pode estar sem um homem com uma bomba de água atrás e outro com um abafador de fogo. Este trio tem de trabalhar em conjunto, sempre. Só posso dizer que a cada incêndio que acontece, chego sempre em casa dizendo que o último foi o pior de todos. No final, as memórias confundem-se e é verdade, porque este último é sempre o mais próximo e, portanto, o mais assustador".

 

COMO VOCÊ ENFRENTA ESSES DESAFIOS?

COMO A PRÁTICA DE KUNDALINI YOGA AJUDA A REALIZAR ESTE SERVIÇO?

"Faço o que faço e consigo fazê-lo praticando Kundalini Yoga". Isso me dá força, concentração, equilíbrio, clareza e coragem para estar nesse momento a prestar esse serviço.

É preciso ter total atenção e concentração, para além do vigor e resistência física necessários, e o Kundalini Yoga me permitiu desenvolver todos estes elementos.

Quanto aos valores que praticamos, é um apelo ao serviço que não me recuso a responder. É estranho . . . Não se pensa no assunto, porque se pensar, não fazemos. É claro que continuo ajudando muito pelo meu pai, pelas nossas casas, mas acima de tudo, é um apelo para proteger o território e aqueles que precisam dele. As proporções dos incêndios são enormes, há sempre aqueles que vão precisar de ajuda". 

 

UMA REALIDADE COMUM

Tal como este grupo de residentes da Serra de Moeda, são os residentes locais de outras regiões que têm atuado para combater as várias fontes de incêndio que são notícia em todo o mundo, especialmente na Amazônia e no Pantanal. É comum ver nas redes sociais vídeos de moradores desolados com a devastação e as mortes acontecendo diante dos seus olhos em escala cada vez maior. Neste cenário, pausam as suas vidas todos os anos para salvar o que os seus pés e mãos lhes permitem salvar.

Um bioma em chamas significa que toda a vida que existe ali está sendo dizimada. Esta destruição ameaça a capacidade destes sistemas de continuar a existir e servir o corpo da Mãe Terra e toda a diversidade que os habita. É por isso que estamos tentando, neste momento, obter um comportamento destrutivo deste tipo como um crime, caracterizando-o como ecocídio.

E é contra este tipo de crime que cada vez mais pessoas, especialmente jovens (que têm Greta Thunberg como expoente principal), levantam as suas vozes e tomam medidas para criar um estilo de vida mais de acordo com o pulso da Terra: vozes e estilos de vida que corroboram o que os povos antigos da Terra têm vindo a fazer há séculos em profunda reverência e gratidão ao Corpo que os acolhe.

E por esta razão, opções como o consumo de produtos agroecológicos locais com denominação de origem ou certificação orgânica, redução do consumo de produtos animais, investigação das condições de trabalho da mão-de-obra empregada na cadeia produtiva do que consumimos, a pressão pública sobre os governos para que atuem em prol de um bem maior coletivo e o apoio às instituições locais empenhadas no bem-estar do planeta, não são apenas o discurso de um ativista.

Estas são formas de pressionar a aprovação de leis e políticas públicas que favorecem a natureza e a sua biodiversidade, a qualidade de vida dos agricultores e a luta eficaz contra a fome em países onde a desigualdade social é abismal. Com uma crise climática tão aguda, temos de nos perguntar que responsabilidades assumimos, desde o início da nossa própria realidade, para servir a Pachamama, a nossa Grande Mãe, através das nossas ações e consumo. 

 

ALGUMAS FORMAS POSSÍVEIS DE SERVIR A MÃE TERRA

Neste sentido, convidamos todos a contribuir conscientemente para a saúde da Mãe Terra, fazendo parte desta rede de pessoas que de diferentes formas estão a servir a saúde deste corpo que nos acolhe para além das medidas.

 

• Comprar produtos locais e agroecológicos / orgânicos;

• Reduzir o consumo de produtos de origem animal,
• Reciclar resíduos secos;
• Compostar seu lixo orgânico;

• Evitar o uso de produtos derivados de petróleo;

• Evitar produtos descartáveis;
• Ressignificar e reutilizar objetos.

 

Convidamos a olhar para o que consumimos como o ponto central de um estilo de vida que ancora a saúde no nosso corpo e no corpo de Pachamama, Mãe Terra, bem como um ato político em prol da dignidade de todos os seres.